Janeiro

O Ano Novo começa
E tudo volta a renascer
É mais um Janeiro que passa
Com a esperança a crescer
Quando a mãe Natureza
O clima gobal comandava
Os meses pouco diferiam
Das leis que ela ditava
Janeiro era frio e gelado
Ou assim devia ser
Pois se diferente fosse
Dava preocupações a valer
O luar ainda é rei
Das noites do mês Janeiro
Tanto que só Agosto
Enquanto tal, é seu parceiro Cantavam-se as Janeiras
Logo no primeiro do ano
E eram repetidas nos Reis
Com muito calor e engenho
No minguante de Janeiro
Que é uma fase lunar
As madeiras se abatiam
P’ra todo o sempre durar
Eram madeiras p’rá casa
E para os utensílios do lar
Mas também da lavoura
Como a dorna p’ró lagar
Também o frio de Janeiro
As carnes ajudava a curar
Daí o agricultor
O seu porquinho matar
O Janeiro ainda é farto
De muita erva p’ró gado
Daí o queijo da serra
Ser produto afamado
Há rebanhos e pastores
Como outrora já havia
Pois a velha profissão
Continua a ter valia
As ovelhas são meigas
E amigas do pastor
Pois este também as trata
Com muito carinho e amor
Ele a todas conhece
E seus nomes por igual
E todas elas lhe obedecem
Ao seu mais leve sinal
Outrora seria a lã
A sua maior valia
Hoje será o queijo
Quem detém a primazia
Queijo rico e saboroso
E muito amanteigado
Feito de leite de ovelha
E com sal e cardo temperado
Mas também há o cão
Fiel companheiro e actor
Que não larga o rebanho
Nem o amigo pastor

José Baptista da Silva

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