Com a chegada de Março
Tem inicio a Primavera
Com flores a emergir
Em tudo quanto é terra
Plantam-se batatas
Semeia-se milho e feijão
E muitos outros legumes
Para consumir no Verão
Escutam-se nos campos melodias
Dos pássaros num doce trinar
Que mais parecem sinfonias
De quem também sabe amar
Cantam a rola e o cuco
E chilreia o pardal
Ouve-se o pica-pau
Numa música real
Na terra fresca e lavrada
A avilharisse catava
As minhocas que emergiam
De dentro da terra cavada
Também chegam as andorinhas
Com o seu voar elegante e veloz
E constroem os seus ninhos
Nas casas de todos nós
Também é mês de Quaresma
Antes vivida a rigôr
Com jejuns e abstinências
Ditadas pelo prior
É tempo de Carnaval
Caretudo e folião
Que transforma Portugal
Em alegre e folgazão
José Batista da Silva
Fevereiro era rego cheio
Por isso muito chuvoso,
Cumpria-se a tradição
De fazer o pão formoso
A natureza agora,
Nem sempre assim o quer
Porque o Homem demora
Ao seu papel entender
Agressões à natureza
Estão sempre a acontecer
Daí advindo a certeza
De maus dias vir a haver
Fevereiro também é
O mês mais curto do ano
Para acertar calendário
E evitar o engano
Uns anos tem vinte e oito
Outros vinte e nove dias tem
Por isso chamam bissexto
A este ano também
Os primeiros meses do ano
Em tempos que já lá vão
Eram de muita miséria
Pois aos pobres faltava o pão
Recolhidas as colheitas
O trabalho escasseava
E pela casa do jornaleiro
O rigor da fome passava
Valia-lhe o merceeiro
Que no rol apontava
O valor do dinheiro
Da divida efectuada
Assim era a vida
em tempos que já lá vão
Hoje será mais activa
Com outros bens e mais pão
José Batista da Silva
O Ano Novo começa
E tudo volta a renascer
É mais um Janeiro que passa
Com a esperança a crescer
Quando a mãe Natureza
O clima gobal comandava
Os meses pouco diferiam
Das leis que ela ditava
Janeiro era frio e gelado
Ou assim devia ser
Pois se diferente fosse
Dava preocupações a valer
O luar ainda é rei
Das noites do mês Janeiro
Tanto que só Agosto
Enquanto tal, é seu parceiro Cantavam-se as Janeiras
Logo no primeiro do ano
E eram repetidas nos Reis
Com muito calor e engenho
No minguante de Janeiro
Que é uma fase lunar
As madeiras se abatiam
P’ra todo o sempre durar
Eram madeiras p’rá casa
E para os utensílios do lar
Mas também da lavoura
Como a dorna p’ró lagar
Também o frio de Janeiro
As carnes ajudava a curar
Daí o agricultor
O seu porquinho matar
O Janeiro ainda é farto
De muita erva p’ró gado
Daí o queijo da serra
Ser produto afamado
Há rebanhos e pastores
Como outrora já havia
Pois a velha profissão
Continua a ter valia
As ovelhas são meigas
E amigas do pastor
Pois este também as trata
Com muito carinho e amor
Ele a todas conhece
E seus nomes por igual
E todas elas lhe obedecem
Ao seu mais leve sinal
Outrora seria a lã
A sua maior valia
Hoje será o queijo
Quem detém a primazia
Queijo rico e saboroso
E muito amanteigado
Feito de leite de ovelha
E com sal e cardo temperado
Mas também há o cão
Fiel companheiro e actor
Que não larga o rebanho
Nem o amigo pastor
José Baptista da Silva
Tem passado algum tempo que não desenvolvemos este local. Por vezes e o facto de ser curioso, e não ser esta a minha profissão faz com que os atrasos em alguma publicação sejam mais dilatados. Mas deixe-mo-nos de justificações, e ponhamos as mãos á obra.
Bem este espaço passou para um tipo de software mais prático e fácil de utilizar pelo que contem com ele para as suas actualizações. Neste nova etapa, também ira aparecer um novo colaborador que vai sem duvida ajudar nesta dinamização.
Conte connosco…e até breve